Mostrando postagens com marcador Período Colonial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Período Colonial. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quem foram os primeiros mateenses?


Não há data precisa da chegada dos primeiros colonos, nem a indicação dos seus nomes, mas, pela tradição oral, os primeiros colonizadores portugueses chegaram a São Mateus por volta de 1544. Marco Antônio Dall’Orto cita no livro Rio Cricaré e a história cultural de seu povo, que o mais provável é que colonos fugidos dos frequentes ataques à Vila do Espírito Santo (Vila Velha) tenham vindo buscar refúgio na até então desabitada região norte da Capitania do Espírito Santo.
Padre José de Anchieta

A falta de informação sobre os primeiros anos da colonização faz com que muitos historiadores levantem hipóteses, nem sempre prováveis. Uma delas é que o povoamento de São Mateus poderia ter-se iniciado com a chegada de náufragos. Na história do Padre José de Anchieta lê-se que, ao passar pelo Rio São Mateus, em 1566, celebrou missa para alguns náufragos. Carece, no entanto, de documentação para tornar-se fato histórico.

Para o historiador Eduardo Durão Cunha, o mais provável era que os primeiros colonos devam ter vindo da vizinha Capitania de Porto Seguro, cujo donatário era Pedro do Campo Tourinho. Pode-se afirmar, no entanto, que a documentação histórica que registra a presença mais remota de portugueses na região é a que trata da Batalha do Cricaré, ocorrida em fins de janeiro de 1558. Outra é a narração epistolar de uma viagem e missão jesuítica do padre Fernão Cardin que veio à povoação do Rio São Mateus, em setembro de 1583.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A Batalha do Cricaré


A Batalha do Cricaré constituiu-se em um dos mais sangrentos massacres a índios Tupis, promovido pelos portugueses. Ocorreu no século XVI, na região que hoje conhecemos como Meleiras, próximo ao encontro dos rios Cricaré e Mariricú.

O famoso padre jesuíta José de Anchieta escreveu sobre essa batalha alguns anos depois do grande acontecimento. Segundo ele, meses antes da famosa batalha, Vasco Fernandes Coutinho, donatário da Capitania do Espírito Santo, escreveu uma carta desesperada ao Governador Geral do Brasil, Mem de Sá, pedindo que este lhe enviasse navios e homens para enfrentar os índios, que já haviam destruído, novamente, quase toda a Vila Velha e a Vila de Vitória. Em 1558, Mem de Sá, então, enviou seis navios e mais de duzentos homens armados com arcabuzes (espingarda antiga), sob o comando de seu filho, Fernão de Sá. Eles partiram de Salvador, em direção à Vitória, para socorrer o donatário e seus colonos portugueses.

Antes, porém, pararam em Porto Seguro, para reabastecer e planejar melhor o ataque aos índios ao redor da Vila de Vitória. Foi lá que eles receberam a informação de que os índios estavam em grande número às margens do Rio Cricaré. Sabendo dessa informação valiosa, Fernão de Sá partiu imediatamente com seus homens. Chegando à foz do Cricaré, no dia 22 de maio de 1558, e entrou, com uma caravela, pelo rio, até onde o Rio Mariricu encontra-se com o Cricaré. Nesse local, a meio caminho de São Mateus, Fernão de Sá e seus homens puderam ver as fortificações dos índios. Os índios usavam para a guerra a tática dos mereriques, que eram uma espécie de fortaleza de palha e madeira.

Eram seis enormes muralhas circulares de toras, uma dentro da outra, que formavam um imenso forte. Os índios fizeram três desses fortes, interligados por grandes corredores protegidos. Eles, realmente, estavam preparados para a guerra contra os portugueses. Do navio, os portugueses chegaram, em pequenos barcos, às margens de areia fofa do rio. Em grande número, os portugueses conseguiram destruir o primeiro forte dos índios, que se reorganizaram nos outros dois que ainda restavam.

Os índios atacavam com centenas de flechas, matando muitos portugueses, e os portugueses atacavam com armas de fogo,matando muitos índios. Ao perceberem que as armas portuguesas estavam dificultando a vitória indígena, alguns índios foram enviados às tribos vizinhas para convocar mais guerreiros. Usando machados, os portugueses conseguiram destruir o segundo forte dos índios, fazendo com que estes lutassem mais bravamente pelo último forte.

A desvantagem tecnológica das armas dos índios era evidente. Mas a vantagem numérica deles era bem maior, e mais guerreiros indígenas chegavam a cada minuto para a grande batalha. Percebendo que vários soldados não possuíam mais pólvora e que a luta corporal entre os tacapes indígenas e as espadas portuguesas não conseguiria derrotar a imensidão de índios que chegavam a todo instante das florestas, Fernão de Sá ordenou que soldados fossem, nos pequenos barcos, ao navio, que esperava no meio do rio, para trazer mais munição. Assim, os índios, que estavam no único forte restante, passaram a ficar em grande vantagem contra os portugueses, já que a pólvora não chegava e os portugueses não eram tão numerosos como os índios.
Mem de Sá

Uma chuva de flechas cortava o céu em direção aos portugueses (que eram cada vez menos), na sua luta contra os índios (que eram cada vez mais). Com bravura, os índios foram derrotando todos os portugueses que restavam, e, com bravura maior ainda, os portugueses enfrentaram aquela situação desesperadora. Nos últimos instantes da batalha, Fernão de Sá tinha somente dez homens com ele para lutar. Percebendo a situação gravíssima, Fernão ordena que seus homens recuem, a nado, para o navio, que estava esperando no leito do Rio Cricaré. Com centenas de flechas sobre suas cabeças, Fernão de Sá foi atingido por várias flechas, e morreu. Somente três dos seus homens conseguiram escapar ao ataque final indígena.

Os sobreviventes que conseguiram chegar ao navio partiram, rapidamente, em busca da proteção do oceano, pois, assim, os índios não podiam alcançá-los. Passando pela foz do rio Cricaré, juntaram-se aos outros navios da frota e partiram, com extrema tristeza e ódio, rumo a Vitória, por terem perdido a batalha e o seu comandante. Junto do filho do governador morreram Manuel Álvares e Diego Álvares, filho de Diogo Álvares, o Caramuru.

Não sabe exatamente o que aconteceu com o corpo de Fernão de Sá. Sua morte foi notícia em toda a Europa, e o sentimento de vingança entre os portugueses, contra os índios, aumentou ainda mais. Por outro lado, os índios conseguiram uma importantíssima vitória contra seus inimigos portugueses, que estavam invadindo suas terras, matando e escravizando seus parentes mais amados. Essa grande batalha entre portugueses e índios aconteceu entre as atuais cidades de São Mateus e Conceição da Barra, em 1558.


Foi um marco na História da colonização portuguesa no Brasil e uma prova, para os portugueses daquela época, de que os nativos não eram tão inocentes e ignorantes como eles pensavam

sábado, 22 de setembro de 2012

O município baiano do Espírito Santo


Poucos sabem, mas pelo período de 59 anos, São Mateus pertenceu a Bahia. Para ser mais exato, o povoado que havia sido fundado dentro das terras de Vasco Fernandes Coutinho, passou então a ser administrado pela Capitania de Porto Seguro, após sua elevação à categoria de vila.

Historicamente, São Mateus sempre foi uma referência, quer pela produção de farinha de mandioca ou pela sua vocação negreira, sempre realizando intenso comércio com Porto Seguro. Sabe-se que por volta do século XVIII, a coroa portuguesa possuía total informação de tudo o que ocorria na região do Rio Cricaré. O povoado, já próspero, alcançou maior status com o advento da minas de ouro na cabeceira do rio. Tal fato soou como atrativo nas demais regiões do Brasil Colônia, atraindo para nossa região toda a sorte de aventureiros, em especial os mineradores.

O Marquês de pombal de plenos poderes para
Thomé Couceiro de Abreu elevar o povoado
do Cricaré à categoria de Vila.
Nessa época a Capitania do Espírito Santo encontrava-se sendo administrada diretamente pela coroa portuguesa e havia a necessidade de delegar poderes a Povoação do Cricaré, afim de evitar que aventureiros subissem à cabeceira do rio atrás de ouro. Tendo isso em vista, Thomé Couceiro de Abreu, Ouvidor da Capitania de Porto Seguro, possuindo plenos poderes, concedidos Pelo Marquês de Pombal, elevou o povoado à categoria de vila, submetendo-o à sua capitania, dando o mesmo nome que José de Anchieta havia dado no século XVI: Villa de Sam Matheus.

O limite entre as capitanias de Porto Seguro e Espírito Santo que anteriormente era o Rio Mucuri, passou então a ser delimitado pelo Rio Cricaré. Esse fato ocorreu no ano de 1764, sendo que São Mateus ficou sob jurisdição “baiana” até 10 de abril de 1823, quando por portaria da Secretaria dos Negócios do Império a vila retornou ao Espírito Santo.