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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Quem foi Antônio Rodrigues da Cunha, Barão de Aimorés Barão de Aimorés?



Capixabas aventureiros havia muitos, no século XIX. E foram eles que abriram nas matas, a ferro e fogo, as picadas que se tornaram os caminhos e as estradas de hoje, ocupando os pontos menos conhecidos do nosso território e muitas vezes enfrentando a resistência de índios e a cobiça dos mineiros, nossos vizinhos.

Sim, foram muitos, mas poucos correram os riscos que Antonio Rodrigues da Cunha enfrentou desde a juventude, ao deixar para trás a vida confortável na cidade e, à frente de 100 escravos que recebera como herança, navegar pelo Rio São Mateus e desbravar a mata virgem, para construir sua grande fazenda, com barragem, usina de açúcar importada da Europa, o sobradão e uma ponte atravessando o rio.


 Barão de Aimorés

Tinha apenas 22 anos, quando abraçou esse formidável desafio. E, quando o açúcar brasileiro perdeu grande parte do valor que tinha no mercado europeu, esse homem empenhado em ampliar as fronteiras da civilização, abandonou tudo, atravessou o rio e incendiou os canaviais, para abrir caminho até o distrito mineiro de Peçanha, onde o receberam com festa e já com o título de “Major”.

Inquieto e movido por sua atração insuperável pelo desconhecido, Antonio deixou para trás a fazenda da Cachoeira do Cravo e, atravessando terras dominadas por indígenas, cuja língua sabia falar perfeitamente, demarcou a área, fundou nova fazenda e plantou café nos contrafortes de uma serra a 12 quilômetros ao sul de Nova Venécia: a Serra de Baixo, como é conhecida hoje.

Por seu espírito de justiça, punindo exemplarmente o homem que raptara uma índia, conquistou o apreço e o respeito dos indígenas. Chegou a plantar um milhão de pés de café, nessa terra onde o homem branco jamais havia pisado. E também abriu nova picada (ou “picadão”) na mata virgem, entre Nova Venécia e São Mateus.

Mas esse pioneiro da cafeicultura não parou por aí. Antes mesmo da abolição, deu alforria aos escravos e, para garantir o povoamento de Nova Venécia, trouxe da Itália 60 famílias de agricultores. A região até se tornou conhecida como “Barracão”, devido à construção erguida por ele para abrigar as famílias italianas, nos primeiros tempos.

Era um incansável, esse Antonio, que ainda corrigiu várias curvas do Rio São Mateus, para facilitar a passagem das imensas canoas que, na época, transportavam a produção agrícola.

Em reconhecimento a essa obra gigantesca e pensando que teria sua eterna gratidão, o Imperador Pedro II concedeu-lhe o título de Barão – honraria muito disputada pelos poderosos da época. Mas Antonio Rodrigues da Cunha era homem feito de outra têmpera: por pertencer ao partido político contrário ao de Pedro II, jamais assinou seu nome ao lado do título com que o Império o agraciou.

Tempos depois, ajudaria a eleger dois governadores – Graciano Neves e Constante Sodré – e até o seu falecimento, em 1893, com apenas 58 anos de idade, exerceu forte influência na política capixaba, sem jamais esperar por recompensa pessoal. Homens assim nunca dependeram de títulos e homenagens, para se consagrarem como heróicos civilizadores do Espírito Santo e do Brasil.

Texto retirado de: http://www.morrodomoreno.com.br

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ata de encerramento das obras da Igreja Velha.


Esse é um trecho da ata da câmara dos vereadores, datada de 6 de agosto de 1843, que dá fim as obras da Igreja Matriz do Campo da Vila (a Igreja Velha). O Texto foi adaptado ao o português moderno. Por ter mais de 150 anos, possui linguagem carregada e de difícil leitura. Segue a baixo a ata:

24ª sessão em 6 de Agosto de 1843

Presidência do Senhor Cunha

As dez horas achando-se presentes os senhores vereadores Gomes da Cunha, Motta, Oliveira e Souza, faltando com participação os senhores Silvares Junior, Piniche e Farias e, por impedimento, o senhor vereador Matheus Antônio dos Santos, o senhor Presidente abriu a sessão.

Expediente
(...)

O Snr. Vereador Francisco Antônio da Mota solicitou que, achando-se comprados os materiais referentes à obra da Igreja Matriz, era de sua opinião que, ao invés de continuar as edificações da Igreja Matriz do Campo da Vila (Igreja Velha), se acabasse a Igreja Matriz da Praça de São Matheus, não só porque essa igreja existe no centro da cidade e oferece mais comodidade aos fiéis para os atos religiosos, como também essa igreja se encontra com a obra mais adiantada, e em poucos anos, com oito ou dez contos de réis se concluía, entretanto, a Igreja do Campo, segundo seu plano gigantesco, precisa para sua conclusão mais de 40 contos de réis e que as vistas dos rendimentos de 1%, se gastaria mais de cinquenta anos para sua conclusão. A câmara, tomando em consideração o dito requerimento deliberou que se examinasse o estado da obras e se precedesse ao seu orçamento para a finalização das obras da Matriz da Praça de São Matheus e que se enviasse um ofício ao governo da província pedindo permissão para esse ato. (...)

Igreja Velha na década de 1950